Mitos e verdades

A mulher costuma ser responsável pela infertilidade do casal. MITO
A mulher, isoladamente, é responsável por 30% das causas de infertilidade de um casal. 30% são problemas exclusivamente masculinos e 30% são casais que apresentam fatores femininos e masculinos associados. Por esse motivo, casais que estão enfrentando dificuldades para engravidar devem ter avaliados ambos os cônjuges para ter maior certeza dos motivos e tratamentos possíveis para obterem sucesso em engravidar.

 A idade da mulher tem relação direta com a infertilidade. VERDADE
A mulher nasce com um número de óvulos que vai utilizando ao longo da vida, independentemente do uso de anticoncepcionais. Quanto mais velha a mulher, menor a quantidade de óvulos disponíveis e mais velhos eles serão, portanto com menor qualidade.

Ciclismo pode afetar a infertilidade masculina. VERDADE
Estudos demonstraram que homens que se exercitam vigorosamente podem ter prejuízo da qualidade seminal, especialmente se este esporte for ciclismo. Pedalar por mais de 5 horas por semana pode alterar a qualidade seminal provavelmente por aumento da temperatura da bolsa escrotal e trauma contínuo aos testículos.

Tratamentos para engravidar sempre geram gêmeos. MITO
A taxa de gemelaridade é afetada pela idade da mulher e número de embriões transferidos ao útero em uma fertilização in vitro. Há regulamentações do CFM que orientam este quesito, mas em média 10 a 20% dos casais que engravidam por fertilização podem vir a ter gêmeos. A grande maioria terá apenas um bebê. Em tratamentos de baixa complexidade, como coito programado e inseminação intrauterina, o cuidado deve ser não haver mais de um ou dois óvulos estimulados. Nesses tratamentos, mesmo na presença de dois óvulos, das mulheres que engravidam a taxa de gemelaridade é menor, não ultrapassando 5% a 10%.

Mulheres que se exercitam demais podem ter dificuldade em engravidar? VERDADE
Dois fatores podem contribuir para alterações da ovulação em mulheres que exercitam demais. Primeiro, um baixo índice de massa corporal (IMC menor que 18.5 kg/m) assim como baixo índice de gordura corporal, mesmo com IMC acima de 18.5kg/m², prejudicam o metabolismo de hormônios sexuais, cuja fonte principal é a gordura. Além disso, o estresse causado pela atividade física extenuante pode liberar hormônios como o cortisol que podem ter influência sobre a ovulação. Porém é importante lembrar que atividade física intensa é mais comum em atletas profissionais, por isso, em geral são casos pontuais. A atividade física moderada e regular já foi demonstrada como sendo auxiliar na fertilidade. Mulheres que se exercitam regularmente tem seu tempo para conseguir engravidar encurtado em relação às sedentárias.

Número de relações sexuais afeta a chance de gravidez. PARCIALMENTE VERDADE
Casais que mantêm 2 a 3 relações sexuais por semana não precisam ter preocupações com o período fértil. Já casais que tem menos de 2 relações sexuais por semana podem ter suas chances de gravidez diminuídas. Para esses casais, saber o período fértil pode ser uma alternativa para não diminuir suas chances. No período fértil, idealmente deve-se manter relações sexuais em dias alternados. Não é necessário manter relações sexuais diariamente. Calcule seu período fértil aqui.

Usar anticoncepcional hormonal por muito tempo pode tornar uma mulher infértil ou fazer demorar mais tempo para engravidar? MITO
Assim que uma mulher suspende o uso do anticoncepcional, o ovário retoma a sua função hormonal. É importante lembra que durante o uso do anticoncepcional a mulher continua “perdendo” óvulos com o passar do tempo pois independente do fenômeno da ovulação não ocorrer, óvulos vão entrando em atresia (morte celular). Assim, quando da parada do anticoncepcional hormonal, a função e qualidade dos óvulos será exatamente a mesma caso esta mulher nunca tivesse utilizado o medicamento.

Após um aborto, devo aguardar para novas tentativas de gravidez. MITO
Após uma perda, especialmente se a mulher tiver mais de 35 anos ou comprovadamente baixa reserva ovariana ou problemas para engravidar, novas tentativas devem ser imediatamente planejadas. Pode-se aguardar apenas um ciclo menstrual após o aborto para iniciar novas tentativas de gestação. A exceção a essa orientação é caso haja necessidade de investigações ou tratamentos adicionais para evitar novos abortos.

O cigarro pode afetar nossa fertilidade. VERDADE
O cigarro afeta a fertilidade feminina, ocasionando piora na qualidade dos óvulos, além de poder antecipar a queda da reserva ovariana e piorar o funcionamento das trompas uterinas. Mulheres fumantes apresentam menores taxas de sucesso em tratamentos para engravidar, maior incidência de abortos e maior número de complicações na gestação. Homens fumantes apresentam piores resultados no espermograma.

Aspectos emocionais influenciam os tratamentos para engravidar. PARCIALMENTE VERDADE
É claro que a ansiedade e a depressão podem ter um efeito negativo sobre a fertilidade através da liberação de substâncias nocivas à ovulação, e também prejudicar o andamento dos tratamentos de fertilidade de forma indireta, como alterar o entendimento no uso de medicações, eventualmente provocar erros inconscientes e além disso, liberar substâncias interferentes no processo de ovulação. Entretanto, é preciso ser coerente quando atribuímos aos aspectos emocionais os insucessos tanto em conceber naturalmente como ao tentar conceber através de tratamentos. O auxílio de um profissional da psicologia pode auxiliar a alcançar os objetivos, a gestação, de forma mais rápida e mais tranquila.

A infertilidade só é um problema após os 35 anos. MITO
A marca “35 anos” é apenas uma avaliação da população GERAL que demonstra que é nesta idade que a taxa de fertilidade começa a cair tanto por perda da qualidade dos óvulos, como por perda da reserva ovariana. Porém, individualmente podemos ter variações, isto é,  haverá mulheres que com menos de 35 anos poderão ter dificuldades de engravidar, enquanto outras, com mais de 38 poderão engravidar rapidamente sem tratamentos. Por esse motivo é aconselhado que logo o casal saiba do desejo de engravidar, as tentativas não devem ser postergadas e isso deve ocorrer, preferencialmente, antes dos 35 anos.

Após um câncer, homens e mulheres têm dificuldade de ter um bebê. VERDADE
Alguns quimioterápicos podem interferir no crescimento celular dos gametas (óvulos e espermatozoides). Assim, ao instituir tratamentos com esses medicamentos, testículos e ovários podem parar a sua produção de espermatozoides e óvulos de forma permanente, fazendo com que homens tornem-se azoospérmicos (ausência de produção de espermatozoides) e mulheres entrem em menopausa.  A prevenção da infertilidade em pacientes com diagnóstico de câncer baseia-se no congelamento dos gametas antes do tratamento quimioterápico. Isto também vale para tratamentos que envolvam radioterapia pélvica e cirurgias testiculares ou ovarianas. Leia mais em oncofertilidade.

Doenças sexualmente transmissíveis afetam a fertilidade. VERDADE
As doenças sexualmente transmissíveis podem causar processos inflamatórios assintomáticos nas trompas, podendo comprometer seu funcionamento e até causando obstrução completa das mesmas, o que impedirá o encontro do óvulo com o espermatozoide. Trompas comprometidas também aumentam a chance de gestação ectópica, condição incompatível com o desenvolvimento do feto e inclusive com riscos de saúde. Algumas infecções podem causar alterações do colo uterino, cujo tratamento pode comprometer a evolução de uma gestação. Nos homens, infecções deste tipo podem causar alteração na produção e liberação dos espermatozoides no ejaculado. Muitos casais que apresentam infertilidade causada por essas infecções irão necessitar de tratamentos mais complexos, como a inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.

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