Baixo peso e infertilidade

Muito se fala sobre o impacto do excesso de peso sobre a fertilidade. Sabemos que mulheres acima do peso, podem enfrentar dificuldades para engravidar. Porém, as mulheres muito magras correm um risco ainda maior, e este fato não pode ser ignorado.

Além de afetar as chances de gestação natural (mulheres com IMC menor que 19 Kg/m² tem 4 vezes menos chances de engravidar naturalmente, conforme a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), em tratamentos de fertilização in vitro, um estudo muito recente demonstrou que mulheres com IMC menor que 18,5Kg/m² têm menores taxas de gestação e de bebê nascido e maiores taxas de abortos espontâneos quando comparadas a mulheres de peso normal realizando o mesmo tratamento (Fertil Steril. 2017 Feb;107(2):422-429).

Como o baixo peso afeta a fertilidade?
Ao ter menor quantidade de gordura corporal, local onde muitos hormônios são metabolizados e de onde se obtém matéria prima para a produção dos mesmos, ocorre um desequilíbrio na síntese de estrogênios e leptina, desencadeando alterações no ciclo ovulatório normal e, provavelmente, podendo acarretar mudanças na qualidade dos óvulos.

1. Alteração no Ciclo menstrual
Mulheres abaixo do peso podem ter um ciclo menstrual irregular podendo até parar completamente e menstruar (ciclos amenorreicos). Obviamente, se não há ciclicidade menstrual normal, há grandes chances de não estar ocorrendo amadurecimento adequado dos óvulos e, consequentemente, ocorrerão alterações no ciclo ovulatorio normal. Sem ovulação (amadruecimento de um óvulo), não há possibilidades de gestar de forma natural. Em alguns casos, a ovulação não cessa por completo, mas ocorre de forma arrastada, provocando ciclos muito longos. Nesses casos, apesar de haver amadurecimento do óvulo e consequente ovulação e liberação deste óvulo para as trompas, o endométrio (revestimento interno do útero) pode não estar adequado, em virtude das alterações hormonais, para receber o embrião advindo do encontro daquele óvulo com o espermatozoide. E às vezes, mesmo engravidando, as mulheres abaixo do peso podem estar sob risco aumentado de aborto espontâneo.

2. Falta de nutrientes importantes
Mulheres abaixo do peso têm um risco de não obter nutrientes suficientes, tais como ácido fólico, vitamina A, B2, P, K e minerais, tais como cálcio, ferro, cobre ou zinco. Estes nutrientes e minerais são muito importantes para a mulher que quer engravidar. Por exemplo, se a dieta não fornece ácido fólico, existe o risco de o bebê desenvolver espinha bífida, ou um defeito no tubo neural.

3. Complicações na gestação
Estudos demostraram que mulheres com IMC menor 18kg/m? Apresentam maior risco de abortos espontâneos sem causa conhecida. Além disso, um estudo de 2015 (J Obstet Gynaecol. 2015 May;35(4):354-7) demonstrou que mulheres de baixo peso costumam ter bebês nascidos abaixo do peso esperado, o quê pode levar a complicações neonatais, como hipoglicemia. Além disso, o mesmo estudo evidenciou que gestantes de baixo peso podem ter irsco aumetnado de parto prematuro.

Tendo em vista a dificuldade que o baixo peso corporal pode trazer às pacientes que almejam engravidar e ao aumento das complicações nas gestantes, a manutenção do peso corporal através de dieta adequada é fundamental para os bons resultados relacionados à fertilidade feminina.

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