Síndrome dos Ovários Policísticos

É um distúrbio que interfere no processo normal de ovulação, onde não há amadurecimento de óvulos passíveis de serem liberados para as trompas e fertilizados pelo espermatozoide nas trompas uterinas. Com a falta de amadurecimento (ovulação), ocorre o acúmulo de óvulos em estágio inicial (antral), acarretando o aspecto policístico dos ovários identificado na ultrassonografia.  Em portadoras da Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), esses cistos permanecem e modificam a estruturaovariana, tornando o órgão até três vezes maior do que o tamanho normal. A disfunção pode levar à secreção de hormônios masculinos (androgênios) em excesso, o que pode gerar o aparecimento de acne, queda de cabelo, oleosidade de pele e cabelo e aumento de pelos em locais não esperados, como face, abdome entre outros. Por não haver o amadurecimento dos óvulos, a portadora da síndrome ovula com menor ou nenhuma frequência e tem ciclos, em geral, irregulares. Calcula-se que a SOP afeta 20% das mulheres durante a fase de vida reprodutiva.
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ORIGEM DA SOP
Os fatores que levam ao desenvolvimento da SOP não são totalmente conhecidos, mas ela tem origem genética, em parte, pois irmãs ou filhas de uma mulher portadora do distúrbio tem 50% de chance de desenvolvê-la.Esse fator está presente especialmente nas pacientes com SOP e peso normal. Nas pacientes com sobrepeso ou obesas, tudo indica que sua origem esteja associada à produção da insulina em excesso pelo organismo. O aumento da quantidade dessa substância no sangue (a hiperinsulinemia) provocaria o desequilíbrio hormonal e acarretaria a não ovulação.

Principais Sintomas E Sinais
- Ciclos irregulares ou ausência de menstruação
- Crescimento anormal de pelos nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço;
- Aumento da oleosidade da pele e aparecimento de espinhas e cravos;
- Queda de cabelos;
- Aumento do peso;
- Manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço
- Pacientes com SOP, especialmente as com sobrepeso, estão sob maior risco que a população em geral de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes.

Tratamento
De acordo com a Diretriz Brasileira sobre a SOP, dieta e exercícios físicos representam o tratamento de primeira linha nas pacientes com alteração de peso, melhorando a resistência à insulina e retorno dos ciclos ovulatorios, até mesmo na ausência de perda de peso. O retorno à ovulação é importantíssimo, mesmo nas pacientes que não desejem engravidar pois a anovulação pode, a longo prazo, provocar o espessamento do endométrio (revestimento interno do útero), ocasionando doenças no órgão. A perda de peso em 5 a 10% do peso corporal costuma auxiliar de maneira expressiva a capacidade de ovulação destas pacientes. Com o tratamento medicamentoso adequado, cerca de 50% a 80% das pacientes apresentam ovulação e 40% a 50% engravidam de forma natural desde que não haja nenhum outro fator de infertilidade associado.

 A Síndrome e a Infertilidade
Muitas mulheres só descobrem que têm o problema quando tentam ter filhos e não conseguem. Quando a SOP é a única causa de infertilidade do casal, as chances de gravidez são excelentes após a correção do distúrbio ovulatorio. No entanto, elas podem responder demais à medicação e apresentarem, por isso, desconforto, característico de hiperestímulo dos ovários. Assim, o tratamento das pacientes portadoras desta síndrome deve ser individualizado e extremamente criterioso e realizado por profissional com experiência neste tipo de patologia. A hiperovulação com os tratamentos realizados sem monitoramento e cuidados adequados, além de provocarem desconforto, aumento do volume abdominal, e até sintomas como perda temporária de função renal, acúmulo de líquidos no tórax, também pode ocasionar a ocorrência de gestação múltipla em número igual ao número de óvulos que amadurecerem. Por esse motivo, a estimulação da ovulação nessas pacientes deve ser acompanhada e, no caso, de hiperestimulação, o ciclo de tratamento deve ser interrompido, isto é, a paciente deve ser orientada a não tentar engravidar naquele momento sob risco de inúmeras complicações. Pacientes portadoras de SOP e com dificuldade de ovulação (amadurecimento dos óvulos) ou com outros fatores de infertilidade associados podem se beneficiar, muitas vezes como tratamento de primeira linha, da realização da fertilização in vitro.

A indicação do tratamento ideal irá variar de acordo com o quadro clínico de cada paciente, idade e outros fatores de infertilidade associados. O especialista em reprodução assistida pode ser eleito como o primeiro profissional a tratar dessas pacientes, especialmente se o médico ginecologista não tiver experiência e meios de acompanhar a estimulação da ovulação de forma criteriosa.

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