Indução da ovulação (coito programado)

Esta é uma opção simples de tratamento para casais cuja causa da infertilidade é a ausência da ovulação, inexistência de causa identificável e que tenham um tempo de infertilidade não muito longo.

O coito programado é a determinação do melhor período do ciclo menstrual para o casal ter relações sexuais e conseguir a gestação, utilizando-se o conhecimento médico e a tecnologia. Ele pode ser em ciclo natural ou com medicamentos indutores da ovulação. A literatura demonstra que quando bem indicado, as chances do coito programado precedido pelo uso de medicações indutoras da ovulação, são maiores do que as chances do coito programado natural, isto é, sem o uso de medicações. A desvantagem de realizar o coito programado sob uso de medicamentos é que o uso do ultrassom transvaginal torna-se IMPRESCINDÍVEL para o acompanhamento, tanto para evitar tratamentos demasiadamente longos onde a chance pode ser baixa de gravidez em virtude de inadequações de medicamentos, como no caso de superovulações não identificadas, acarretando risco de gestação múltipla com consequente morbidade da mãe e bebê(s).
Para realizar o coito programado, preconiza-se que os casais devam preencher os seguintes critérios, preferencialmente:

  1. • mulheres jovens (abaixo de 37 anos);
  2. • pacientes com fator ovulatório como única causa de infertilidade;
  3. • qualidade adequada do sêmen;
  4. • integridade anatômica do sistema reprodutor feminino, com pelo menos uma trompa uterina funcionante.
  5. • com tempo de tentativa menor que 2 anos

Quando bem indicado, isto é, para pacientes que se enquadram nos critérios acima, as taxas de sucesso dos coitos programados oscilam entre 8 a 15% ao mês.
 
Como funciona?
No primeiro ou segundo dia da menstruação a paciente deve entrar em contato com a clínica para comunicar a equipe médica e agendar o primeiro ultrassom. Nesse primeiro exame, será avaliada a reserva ovariana, a sincronicidade do tamanho dos folículos ovarianos, a ausência de folículos maiores que 10/12 milímetros e de cistos/folículos remanescentes do ciclo menstrual anterior.
Todos os requisitos acima estando preenchidos, é iniciada a estimulação da ovulação com o objetivo de se obterem 1 ou 2 folículos dominantes ao final do estímulo. Para tanto, são oferecidas quatro  possibilidades de indução da ovulação:

  1.   1. Citrato de clomifeno: medicação via oral, de baixo custo e reduzida incidência de efeitos colaterais, com dose variável, conforme cada caso.
  2.   2. Letrozol: medicação via oral, também de baixo custo. Sua vantagem sobre o citrato de clomifeno é não provocar atrofia de endométrio que o primeiro medicamento pode provocar em algumas pacientes. É primeira escolha em pacientes com Síndrome dos Ovários Policísticos, conforme demonstrado pela literatura científica, apesar de ainda ser off label.
  3.   3. Gonadotrofinas injetáveis: Podem ser sintéticas ou naturais. Devem ser administradas em baixa dose para evitar ovulação múltipla com consequente risco de gestação gemelar ou multigemelar. É imprescindível o uso do ultrassom para controle de ovulação para evitar possíveis complicações ou, pelo menos, identificá-las. Tem custo moderado. São os mesmos medicamentos utilizados em tratamentos de alta complexidade como a fertilização in vitro.
  4.   4. Terapia combinada: Utiliza-se em conjunto os medicamentos via oral e os injetáveis com o intuito tanto de diminuir custo, como de evitar o crescimento de múltiplos folículos.

 
Após a prescrição dos medicamentos, aproximadamente 7 a 9 dias é agendado outro ultrassom para verificação da resposta ovariana aos medicamentos administrados através da verificação do crescimento folicular e os demais aspectos, como espessura endometrial.A  partir daí, é feito o controle com ou sem adição de novas medicações e orientações de relações sexuais. Os demais ultrassons vão sendo agendados conforme necessidade. Em média, são realizados 5 ultrassons durante o ciclo de estimulação para um tratamento de coito programado. Eventualmente podem ser necessárias dosagens hormonais .
Na eventualidade de não ruptura do folículo dominante ou necessidade de ovulação com dia determinado, desde que não influencie nas taxas de sucesso, pode-se utilizar medicamentos de deflagram a ruptura do folículo ovariano / ovulação, seguindo a orientação de relação sexual.  Após a determinação da ovulação, novo exame de ultrassom deve ser agendado para confirmação do evento ovulatório. Em geral, medicamentos de suporte de fase lútea (progesterona) são prescritos e aguarda-se aproximadamente 14 dias para verificar a ocorrência de gestação.
 

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