Fertilização in vitro de um jeito fácil de entender!

Nos primeiros três dias do ciclo menstrual ou logo após a ovulação, no que chamamos de fase lútea, realiza-se um ultrassom para avaliar a contagem de folículos antrais, presença de cistos ou qualquer alteração que impeça a estimulação da ovulação.

A estimulação da ovulação irá iniciar com a administração de medicamentos injetáveis, diariamente, para que os folículos cresçam. Os folículos são as unidades que armazenam os óvulos. Lembre-se: os folículos não aparecem ou nascem… apenas crescem os folículos já existentes. Com ultrassonografias seriadas, a dose dos medicamentos será ajustada dia a dia. Mas é importante frisar que crescer ou não crescer o número de folículos esperados está na dependência da dose do medicamento, mas principalmente na capacidade daqueles folículos responderem aos medicamentos. E a resposta aos medicamentos depende da qualidade daqueles óvulos.

Quando os folículos alcançam um diâmetro médio de 14 mm, estarão produzindo um hormônio chamado estradiol, que pode deflagrar a ovulação por estímulo à hipófise e perda dos óvulos. Por esse motivo, além de estimular a ovulação, há necessidade da administração de medicamentos que bloqueiam a hipófise e consequente amadurecimento dos óvulos e perda dos mesmos antes da sua coleta pelo médico.

A partir desse bloqueio, segue-se o acompanhamento ecográfico para então determinar o momento de interromper a estimulação ovariana quando se acreditar que os óvulos já estejam maduros, com diâmetro médio entre 18 e 20mm e administra-se o último medicamento que provocará o amadurecimento e soltura dos óvulos dos folículos, para que se possa coletá-los 35 a 36 horas após a administração desses medicamentos.

A coleta dos óvulos é realizada através de uma punção do fundo vaginal que alcança os ovários guiada pelo ultrassom e com a paciente sedada. A agulha irá coletar o liquido dos folículos e espera-se que haja óvulos maduros dentro deles. Esse líquido é enviado ao laboratório, onde o embriologista verificará a presença e viabilidade deles.

Paralelamente, o companheiro irá coletar a amostra seminal, através de masturbação ou punção de epidídimo ou testículo, em alguns casos, e esse material será processado. Com uma agulha de cristal, o embriologista experiente deverá selecionar os melhores espermatozoides para introduzir delicadamente dentro dos óvulos, através de um procedimento chamado ICSI (intracytoplasmatic sperm injection). Classicamente, a fertilização in vitro clássica, onde óvulos e eseprmatozoides são colocados aleatoriamente juntos, também poderá ser feita.

A partir daí, o processo de fertilização do óvulo poderá ocorrer. E ocorre, em média, em 70%  a 80% das vezes, sendo verificado em cerca de 18 a 21 horas. Fertilizar um óvulo significa que o DNA do espermatozoide se integrou ao DNA do óvulo para formar um novo indivíduo. E isso depende da qualidade do óvulo, do espermatozoide, do laboratório e da técnica do embriologista, isto é, experiência.

Ao longo dos dias, a qualidade do embrião poderá ser avaliada através da progressão do crescimento das células e suas características. A parada de desenvolvimento é comum e acontecer em 50% dos embriões, estando aptos à transferência ao final de 3 a 5 dias de cultivo no laboratório, em torno de 50% dos óvulos que foram fertilizados.

Dos embriões considerados de boa qualidade, apenas alguns serão normais e darão origem a um bebê. E essa proporção de embriões normais será menor quando maior a idade da mulher.

3 a 5 dias após a coleta dos óvulos, ou no ciclo subsequente em alguns casos, será realizada a transferência embrionária para o útero. O número de embriões a serem transferidos deve ser uma conduta individualizada. A transferência deve ser um procedimento indolor e com técnica perfeita para manter as chances de gravidez dentro do esperado.

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