Cuide da sua fertilidade

 1. NÃO RETARDE A GRAVIDEZ
A mulher nasce com um número de óvulos e esses são utilizados ao longo da vida, não havendo produção de óvulos “novos” ao longo da vida. Nascemos com um número “X” de óvulos e é isso que teremos e ponto final. Cabe a cada mulher se planejar quando os utilizará, antes que se tornem escassos ou ausentes e que percam a qualidade necessária para gerar um bebê saudável. Como consequência desse número finito de óvulos (aqueles com os quais nascemos!), quanto mais tarde forem iniciadas as tentativas de gravidez, menor será o número, mais velhos e menos eficientes serão os óvulos utilizados para essas tentativas de gravidez. Óvulos envelhecidos têm maior risco de gerar embriões com alterações genéticas que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é o risco de bebês doentes a maior preocupação, mas sim a não gravidez e as gestações que evoluem para aborto. Embriões aneuplóides, isto é, que possuem alterações genéticas por um incompetência do óvulo ou do espermatozoide, em geral não geram gestações evolutivas, mas sim abortos e testes de gravidez negativos. Portanto, não adiar os planos de formar ou aumentar a família pode poupar problemas de fertilidade no futuro.

Abaixo, você vê na prática, o impacto de postergar as tentativas de gravidez nas taxas de gestação e na chance aborto espontâneo.


2. NÃO FUME
O fumo está associado à diminuição das taxas de gravidez por ter um efeito deletério em todas as etapas do processo reprodutivo. O fumo provoca:

  • diminuição na movimentação dos espermatozoides;
  • aumento na fragmentação do DNA espermático;
  • diminui movimentação das trompas, aumentando, inclusive, o risco de gravidez ectópica.
  • acelera o envelhecimento ovariano, tendo com prova disso estudos científicos demonstrando que fumantes antecipam sua menopausa em aproximadamente 1 a 4 anos;
  • piora qualidade dos óvulos – mulheres fumantes apresentam piores índices de qualidade embrionária em laboratórios de FIV, o que determina que mulheres ou homens fumantes, em média, precisarão do dobro de tentativas de FIV do que mulheres não fumantes;
  • mulheres fumantes têm menores taxas de implantação embrionária;
  • mulheres fumantes têm maior risco de aborto espontâneo, restrição de crescimento intrauterino (bebê que cresce pouco dentro do útero materno), descolamento prematuro de placenta e morte fetal intrauterina.

Importante ressaltar que há evidências científicas demonstrando que indivíduos não fumantes com exposição massiva ao fumo (fumantes passivos) apresentam o mesmo risco de danos à fertilidade que fumantes.

É fundamental que, ao iniciar as tentativas de gravidez, o casal disponha-se a cessar o hábito de fumar para  não diminuir suas chances de gravidez e reduzir os riscos do fumo durante a evolução da gestação.


3. NÃO USE ÁLCOOL E DROGAS
O uso do álcool está associado à diminuição da fertilidade feminina, alterando a qualidade dos óvulos. Além disso, recentemente foi demonstrado que nenhuma dose de álcool é considerada segura durante a gestação, não devendo ser consumido nessa fase. Nos homens, o uso de álcool pode levar  à diminuição dos níveis de hormônios masculinos, à impotência sexual e à diminuição da quantidade e qualidade dos espermatozoides.

Maconha e cocaína estão associados a menores taxas de fertilidade, maior risco de aborto e alguns estudos cogitam maior risco de malformações fetais.


4. MANTENHA O PESO ADEQUADO
Tanto homens quanto mulheres que desejam ter um filho devem estar atento ao peso corporal  e, especialmente, ao percentual de gordura.

Homens obesos têm maior incidência de alterações espermáticas e diminuição dos níveis de testosterona. Na prática, é fácil perceber que homens obesos têm   maior incidência de alterações seminais, incluindo piores parâmetros no espermograma e piores índices de fragmentação do DNA espermático.

Mulheres obesas apresentam um série de influências sobre a fertilidade, como:

  • maiores índices de alterações da ovulação;
  • piora da qualidade embrionária;
  • piores índices de qualidade embrionária dentro do laboratório;
  • piores taxas de implantação embrionária, isto é, o embrião de boa qualidade têm menores chances de implantar em um endométrio de paciente obesa;
  • mulheres obesas têm maiores taxas de aborto espontâneo do que a população em geral da sua idade;
  • durante a gravidez, as taxas de pré-eclâmpsia, diabete gestacional e macrossomia fetal com as consequentes complicações são maiores em mulheres obesas.

O índice de massa corporal (IMC) (calcule o seu aqui) é uma avaliação sucinta e indireta da gordura corporal. Mas serve como uma forma rápida da avaliação do peso. O IMC ideal é entre 19 e 25kg/m². Mulheres com IMC entre 30 e 35kg/m² têm redução discreta nas taxas de gravidez em relação àquelas com IMC normal. Mulheres  com IMC  acima de 35kg/m², tem suas chances de gravidez reduzidas pela METADE quando comparadas a mulheres da mesma faixa etária com IMC normal. Para as com sobrepeso e obesidade, reduções de peso de 10% aumentam as taxas de gravidez.

Influências indiretas do peso nas chances de gravidez são a piora da libido, tanto em homens quanto em mulheres.

Assim como mulheres obesas, as muito magras também podem ter maiores problemas com a fertilidade. Essas pacientes podem enfrentar problemas com ovulação e piora da qualidade dos óvulos e embriões, diminuindo as chances de sucesso de gravidez, inclusive com piores taxas em tratamentos de reprodução assistida. Estudos mostram que mulheres com IMC menor que 19kg/m² podem aumentar o seu tempo até conseguir engravidar de até 3 vezes mais do que mulheres com peso normal.

Você pode chegar à conclusão, então, que o ideal para aumentar as suas chances de gravidez, tanto de forma espontânea quanto nos tratamentos para engravidar é ter um peso ideal, com IMC entre 19 e 25 kg/m². Mulheres muito magras são as que têm os piores índices de gravidez. E as obesas também enfrentam menores taxas de gravidez, além de enfrentarem maiores taxas de complicações durante a gravidez, que as magras não enfrentam.


5. ALIMENTE-SE BEM
Independente do peso corporal, avaliado através do  índice de massa corporal (IMC), o que você come pode influenciar suas taxas de gravidez. Ter um IMC adequado pode não ser suficiente para garantir taxas de gravidez esperadas para a sua faixa etária. O que você anda comendo?

Em 2018, um estudo demonstrou que baixa ingesta de frutas associado a maiores ingestas de fast food   estão associados ao aumento do tempo para se conseguir engravidar naturalmente. Comparando as mulheres que comem frutas 3 vezes ou mais por dia com mulheres que comem até 3 vezes por mês, o tempo para engravidar aumentou para o segundo grupo em  19%. Quando comparou a ingesta de fast food , mulheres que comem 4 vezes por semana ou mais levam 24% a mais de tempo para engravidar do que mulheres que não ingerem esses alimentos. Tudo isso, a respeito de mulheres com IMC médio de 25kg/m², isto é, mulheres com peso corporal normal.

Outro estudo, também em 2018, comparou mulheres magras realizando fertilização in vitro, e as que aderiram à dieta do   mediterrâneo, tiveram taxas de gravidez em torno de 50% com média de idade de 36 anos, enquanto mulheres com a mesma faixa etária, mas não aderentes à dieta, tiveram taxas de gravidez ao redor de 30%.

A dieta do mediterrâneo baseia-se em um dieta com alto consumo de frutas e legumes, cereais, oleaginosas, azeite e peixe, tornando a alimentação mais rica em fibras e gorduras insaturadas e pobre em gordura saturada.

E importante ressaltar que não há nenhum alimento milagroso. Comer diariamente um ou outro alimento, não fará você engravidar mais rápido. O segredo é, realmente, mudar (ou manter, se você já segue essas orientações) um estilo de vida saudável.

Não esqueça de ingerir bastante líquido, em especial, a água pura!

A orientação com profissional habilitado, como o nutricionista, pode ser de grande valia, mesmo nos indivíduos de peso normal.

Todos esses cuidados devem ser seguidos pelo casal, e não somente pela mulher!


6. FAÇA EXERCÍCIOS REGULARMENTE
O exercício físico está associado à manutenção do peso corporal e à diminuição do estresse. Além disso, melhora a autoestima, refletindo em melhora do desejo e frequência sexuais.

A prática de exercícios físicos já têm clara influência positivo sobre diversos sistemas do organismo. Assim também o é com o sistema reprodutivo, tanto de homens quanto de mulheres. A prática de exercícios deve ser algo a ser incluído na agenda do casal tentante.

Importante ressaltar que, especialmente para mulheres, o excesso de exercícios físicos pode estar associado à redução excessiva não somente do peso corporal, avaliado através do IMC, mas também da gordura corporal total. A redução da gordura corporal, por si só, de forma excessiva, pode diminuir as chances de gravidez. Além disso, mulheres que treinam demasiadamente podem ter problemas com ovulação, muito frequente em atletas que podem passar meses sem menstruar.

O ideal é que a atividade física seja regular, mas ponderada. A frequência de 3 a 5 vezes por semana, por cerca de 40 a 60minutos ao dia parece ser ideal.

Para os homens é importante ressaltar que atividades que aqueçam ou provoquem pequenos traumas testiculares devem ser evitadas, especialmente quando realizadas por mais de 3 horas semanais, como o ciclismo e o hipismo. Para eles também, é importantíssimo frisar que o uso de esteroides anabolizantes com o intuito de aumentar massa muscular e/ou aumentar libido pode ser deletério e, inclusive, causar infertilidade definitiva.


7. VÁ AO MÉDICO REGULARMENTE
Independente de sintomas, a mulher deve consultar o ginecologista regularmente pois a identificação e tratamento precoces de doenças como lesões de colo uterino, infecções nas trompas e endometriose podem prevenir a infertilidade.

O acompanhamento médico, além de identificar doenças tratáveis, irá alertá-la para  situações que muitas vezes não nos damos conta, como questões relacionadas ao peso, à alimentação, aos cuidados com a própria saúde e, em alguns casos, a avaliação do potencial reprodutivo, de forma mais sucinta claro, como pesquisa da historia familiar de menopausa precoce, fumo materno durante a gestação, avaliação da reserva ovariana, entre outros aspectos.

O homem geralmente é mais resistente ao aconselhamento médico. Jovens devem ser avaliados pelo urologista, principalmente para a identificação de fatores corrigíveis e que podem provocar infertilidade, especialmente a varicocele.

Infecções genitais, manifestadas em geral por corrimento do pênis e dores testiculares, devem ser avaliadas pelo especialista e não somente esperar a auto resolução.

Em situações de trauma ou sintomas do trato reprodutor, o médico deve ser procurado imediatamente pois o retardo do tratamento (infecções, torções testiculares) pode afetar a fertilidade.


8. ADOTE A CONDUTA DE SEXO SEGURO
Evitar a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis, como infecção por bactérias (Clamídia, Mycoplasma, Ureaplasma e Gonococo), previne a infertilidade. Essas bactérias podem atacar o trato reprodutor, causando alterações no funcionamento das trompas uterinas e no trânsito dos espermatozoides no trato genital masculino, traduzido pela redução na quantidade de espermatozoides ejaculados. As alterações no funcionamento das trompas é a principal causa de infertilidade em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. E a principal causa desta condição sãos a infecções sexualmente transmissíveis.

A melhor prevenção para essas doenças é o uso do preservativo por indivíduos que não estão tentando engravidar, independente do uso de outros métodos anticoncepcionais. No caso de homens e mulheres sem parceiros fixos, o uso do preservativo é obrigatório, não somente para evitar a infertilidade, mas para evitar doenças com impacto físico e emocional significativo como  a contaminação pelo Vírus HCV, associado ao desenvolvimento do câncer de colo uterino e de pênis, e o HIV, associado à AIDS.


9. ATENTE PARA FATORES AMBIENTAIS
Tanto para homens quanto para mulheres, a exposição  a produtos químicos e ambientais podem ser deletérios para a fertilidade.

De forma geral,  os alimentos têm sido muito afetados pelos produtos químicos que podem estar associados ao aumento do risco de infertilidade. Contaminação por metais pesados pode ser frequente, sendo um risco não somente à fertilidade, mas à saúde como um todo. Verificar a procedência de peixes, aves e carnes vermelhas é fundamental. Evitar o consumo exagerado de carne vermelha é prudente. Preferir alimentos orgânicos é importante, apesar de serem mais caros e terem menor durabilidade.

O armazenamento de alimentos, tanto em casa quanto daqueles comprados, deve ser observado. Evite o uso de plásticos em geral. Prefira utensílios e embalagens de vidro.

Para os homens, a exposição a ondas eletromagnéticas, como as do celular, parece estar associada à piora da qualidade do sêmen. Por isso, evite o uso de celular no bolso de calças.

O aumento de temperatura, como a exposição a equipamentos de trabalho (fornos, computador no colo) ou a manutenção dos testículos mais próximos ao corpo (tempo prolongado na posição sentada, roupas apertadas) podem diminuir a produção de espermatozoides. A poluição ambiental e a exposição a agentes tóxicos, seja no meio ambiente ou em locais de trabalho, como pesticidas, agrotóxicos e outros poluentes, podem afetar a função reprodutiva de homens e mulheres. O uso de EPIs é fundamental nessas situações.


10. CONTROLE O ESTRESSE
Cada vez mais, os estudos vêm mostrando a importância do controle do estresse para prevenir doenças em todos os sistemas no nosso organismo. E não é diferente com a fertilidade. Apesar de ainda não termos evidencias científicas suficientes e definitivas por serem estudos difíceis de serem conduzidos.

Com esse sintoma, o estresse, ocorre a liberação de substâncias que afetam funções do organismo com consequente piora do sono, aumento da ansiedade e consequentes distúrbios alimentares o que acarreta aumento do peso.

Por outro lado, se você já começou a tentar engravidar e está enfrentando alguma dificuldade, esse fato já é suficiente para lhe acarretar ainda mais estresse.

Tente organizar sua rotina diária e tenha atividades de lazer. A prática da yoga e da meditação parecem ajudar também na elaboração desses eventos estressores, tornando sua jornada mais fácil.

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